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Bom advogado, boa ortografia

Posted by Cah on segunda-feira, agosto 06, 2012

     Todos sabem que qualquer advogado que se preze possui bom conhecimento da língua portuguesa culta e a utiliza adequadamente, tanto de forma oral quanto escrita. Entretanto, ocasionalmente, encontram-se por aí algumas verborréias proferidas por pseudo-intelectuais tentando mostrar quão bonita é a nossa língua, mas que acabam-na assolando de tal modo que fica difícil não sentir vergonha alheia. E a coisa é tão grave, que depois tem gente que não sabe por que advogado tem fama negativa, em alguns quesitos.
     Outra coisa que vale ressaltar, é que, as vezes, parece que os escritores verborréicos não sabem diferenciar questões situacionais. Não é em uma petição processual que se vai tentar falar o que não se sabe, correndo o risco de, com uma vírgula no lugar errado, perder ou anular toda a causa. Há momentos em que se pode divagar, falar de forma mais casual e até criar novos jargões. Mas é preciso ter bom senso, saber quando se pode conciliar ou não.
     Pensando nisso, e numa forma diferente de lembrar aos meus alunos a importância da escrita correta, cacei uma lista com 27 dicas imperdíveis para quem quer escrever melhor e a disponibilizo aqui:


  • Vc. deve evitar abrev., etc.
  • Desnecessário faz-se empregar estilo de escrita demasiadamente rebuscado, segundo deve ser do conhecimento inexorável dos copidesques. Tal prática advém de esmero excessivo que beira o exibicionismo narcisístico.
  • Anule aliterações altamente abusivas.
  • “não esqueça das maiúsculas”, como já dizia dona loreta, minha professora lá no colégio alexandre de gusmão, no ipiranga.
  • Evite lugares-comuns assim como o diabo foge da cruz.
  • O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
  • Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
  • Chute o balde no emprego de gíria, mesmo que sejam maneiras, tá ligado?
  • Palavras de baixo calão podem transformar seu texto numa porcaria.
  • Nunca generalize: generalizar, em todas as situações, sempre é um erro.
  • Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.
  • Não abuse das citações. Como costuma dizer meu amigo: “Quem cita os outros não tem idéias próprias”.
  • Frases incompletas podem causar.
  • Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez. Em outras palavras, não fique repetindo a mesma idéia.
  • Seja mais ou menos específico.
  • Frases com apenas uma palavra? Jamais!
  • A voz passiva deve ser evitada.
  • Use a pontuação corretamente o ponto e a vírgula especialmente será que ninguém sabe mais usar o sinal de interrogação
  • Quem precisa de perguntas retóricas?
  • Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.
  • Exagerar é cem bilhões de vezes pior do que a moderação.
  • Evite mesóclises. Repita comigo: “mesóclises: evitá-las-ei!”
  • Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
  • Não abuse das exclamações! Nunca! Seu texto fica horrível!
  • Evite frases exageradamente longas, pois estas dificultam a compreensão da idéia contida nelas, e, concomitantemente, por conterem mais de uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçando, desta forma, o pobre leitor a separá-la em seus componentes diversos, de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.
  • Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língüa portuguêza.
  • Seja incisivo e coerente, ou não.

  • O autor dessas dicas é desconhecido, mas eu as retirei do site lendo.org ;)


    E, para encerrar, deixo um exemplo de atividade que fiz com uma das minhas turmas para ilustrar a importância da pontuação adequada. Como fica essa pontuação?

    Maria toma banho porque sua mãe disse ela pegue a toalha.

    A resposta você encontra aqui


    1 Comments


    A resposta correta para a frase ao final do texto é:

    Maria toma banho porque sua. Mãe, disse ela, pegue a toalha.


    O sua, nesse caso, funciona como verbo (suor) e não pronome possessivo "sua mãe", como tendemos a observar nesse tipo de colocação.

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