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Consciência limpa

Posted by Cah on terça-feira, março 26, 2013


     Hipocrisia danada essa de algumas pessoas que têm o costume de querer transmitir mensagens de paz, reflexão, pensamentos religiosos, fazem questão de mostrar, de todas as formas cabíveis e até incabíveis a sua crença, seja através de adesivos no carro, no caderno, de chaveiros, de penduricalhos na mochila, de mensagens taxativas em redes sociais e de incontáveis outras formas que no momento não consigo pensar. Hipocrisia não por demonstrar a fé, hipocrisia por propalar uma coisa e, na hora de demonstrar caráter, fazer outra. É muito bonitinho ficar postando salmos, mensagens bíblicas, carregar objetos com palavras cristãs e acreditar, verdadeiramente, naquilo que mostra, mas ser mau caráter e achar que vai “comprar” seu cantinho no céu dessa forma é brincadeira! Nem estou falando dos super-religiosos que nada mais fazem do que encher o saco com sugestões não solicitadas, tô falando do falso moralismo mesmo, do “ah, eu acredito em Deus, eu sou boa pessoa, mas não tenho paciência pra socializar”, me poupe, né!

     É bonito, sim, ver uma pessoa ter coragem o bastante para demonstrar aquilo que sente, aquilo que crê, mas esse maldito moralismo pérfido já deveria ter saído de moda. Ou vai me dizer que é correto pregar reflexão, paz espiritual, fé e até moralidade, enquanto, por outro lado (para não dizer outra face), se age com estupidez e desrespeito para com o próximo? A vida é aqui, é agora, o que vale é o hoje, os seus atos para outrem, aquilo que você realmente FAZ de bom e não aquilo que DIZ que deve ser feito. Porque é muito fácil acreditar que “o sangue de Cristo nos salvará” e viver apenas assim, almejando o sangue alheio, sem se importar com as consequências disso. Que siga o exemplo daquilo que acredita e prega com tamanha veemência, então! Seja exemplo e ninguém jamais poderá abrir a boca para falar de hipocrisia, até porque hipócritas, convenhamos, vez ou outra todos somos, mas hipocrisia assim demasiada já é esperar muito do meu delicado e frágil senso de humor.

     E, só pra constar, não, não sou ninguém para falar da vida alheia, mas se tem uma coisa que aprendi foi a respeitar o próximo, sendo este quem for; respeito não se concede por obrigação, interesse ou necessidade, até porque respeito não se é dado a outra pessoa. Acredito que o respeito que se manifesta aos outros é concedido a si mesmo, como um bumerangue que retorna ao ser arremetido. Mesmo que o receptor não se preze a retribuir tal gesto, o respeito que EU tenho para com os outros retorna a mim mesma em forma de caráter, não por falso moral, não por hipocrisia ou qualquer outra coisa, mas por pura e simples consciência limpa.


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